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O DEUS MOMO – rei da chacota e do sarcasmo

Deus Momo era filho de Nix, a noite e era gêmeo de Ezis, a
deusa da miséria.

O deus Momo veio da escuridão e da miséria. Na escuridão não
há como enxergar, o que se vê pode não estar ali e o que não se vê pode estar.
As sombras tomam conta e a ignorância e o medo prevalecem.

Nada mais acertado do que a ignorância ter como gêmea a
miséria e nada mais obvio do que se defender de ambas as forças se tornando  cínico, imbuído de trapaças,
exalando sarcasmos e depreciações através da ironia.

Na mitologia grega ele é a personificação do sarcasmo, das
chacotas irônicas e da sátira.

Examinemos o conceito de sátira:

sátira é uma técnica artística ou
literária que utiliza o humor, a ironia e o exagero para ridicularizar
comportamentos humanos, instituições ou costumes sociais. Diferente da simples
zombaria, ela geralmente carrega uma intenção corretiva ou crítica. 

 

Modos da Sátira

  • Modo Positivo (Funcionalidade Social):
    • Incentivo ao Pensamento Crítico: Torna temas sérios ou complexos mais acessíveis,
      convidando o público a refletir sobre a realidade.
    • Agente de Mudança: Aoexpor hipocrisias e falhas, busca promover reformas morais, sociais ou
      políticas.
    • Resistência: Historicamente, serve
      como ferramenta para desafiar regimes autoritários e figuras de poder
      através da denúncia.
    • Se torna tóxica quando acolhe um regime político, ou uma ideologia
      porque não comunica a crítica, mas tão somente o ataque à oposição
      renunciando assim ao que lhe é mais contundente, o exercício do
      pensamento e a abertura ao diálogo.

 

  • Modo Negativo (Riscos e Consequências):
    • Humilhação e Ataque Pessoal: Pode ultrapassar a crítica social e se tornar uma forma de
      constranger ou desacreditar indivíduos de maneira cruel.
    • Impacto no Bem-Estar: O uso constante de ironia e cinismo na sátira pode estar associado a um
      aumento no sofrimento emocional, como ansiedade ou estresse, devido ao
      seu tom frequentemente pessimista.
    • Polarização: Quando mal interpretada ou agressiva demais, pode gerar mais resistência do que reflexão,
      fechando canais de diálogo. 

A eficácia da sátira depende de um equilíbrio sutil entre
realismo (para que o alvo seja reconhecido) e o absurdo (para
evidenciar o ridículo). 

 

Exemplos de obras satíricas na literatura:

“A Revolução dos Bichos” (George Orwell): Uma fábula satírica que usa animais
de uma fazenda para ridicularizar a corrupção dos ideais revolucionários e a
ascensão do totalitarismo.

“As Viagens de Gulliver” (Jonathan Swift): Embora pareça uma história de
aventura, é uma sátira feroz à natureza humana e à política da época,
questionando a “estupidez” das instituições.

“Uma Modesta Proposta” (Jonathan Swift): Um panfleto satírico onde o
autor sugere, ironicamente, que os pobres vendam seus filhos como alimento para
resolver a fome, expondo a crueldade das políticas sociais.

 

No cinema temos:

 “O Grande Ditador” (Charlie Chaplin): Uma sátira direta e corajosa a Adolf Hitler e ao nazismo, usando o humor para
desmascarar o ridículo do poder autoritário.

“Não Olhe Para Cima” (Adam McKay):Uma sátira contemporânea sobre a negação científica e o papel da mídia diante de crises globais, como a mudança climática.

 

Em termos de arte conceitual, podemos citar como exemplo Ole Ukena, artista alemão que, utilizando vários meios e ferramentas nas suas obras, não dispensa o valor da linguagem. Através de símbolos ou texto, ele
joga ironicamente com os nossos padrões e espera que seja o espectador a concluir o trabalho, interpretando-o.


Os materiais que utiliza servem como metáfora que apesar de enigmático é
extremamente desafiador, como por exemplo, o sinal da paz feito com 12 mil
soldados de brinquedo ou um banco com pregos espetados que, em conjunto,
escrevem a palavra ‘trust’ que significa “confiança” em alemão.

 

No período do Renascimento que surgiu na Europa entre os séculos
XV e XVI e teve seu desenvolvimento ligado a uma série de mudanças sociais,
políticas e econômicas que ocorreram no final da História Medieval, esse deus
Momo se transformou na figura do divertimento “inofensivo” diminuindo seu poder
e o instalando como apenas um ser fantasiado para gerar divertimento, uma
espécie de bônus no palco do “pão e circo” doado pelos sarcásticos e cínicos
poderosos da época.

Sua imagem era representada como um homem mascarado e trazia
nas mãos um cetro com o símbolo da loucura.


Nas fábulas de Isopo, o deus aparece como um espirito que se encarregava de
fazer críticas sumamente sarcásticas tanto aos mortais quanto aos deuses.


Uma das histórias que contam a seu respeito fala sobre a ocasião em que ele foi
encarregado de julgar os trabalhos manuais de três deuses, Poseidon, Hefesto e
Atena, sendo seus trabalhos respectivamente um touro, um humano e uma casa.


Em cada um dos trabalhos encontrou um defeito. Disse que o touro de Poseidon
teria os cornos mal colocados; que ao humano de Hefesto faltava uma das fossas
nasais e que a casa de Atena seria muito pesada e ainda, que lhe faltava umas
lógicas rodas que permitissem ao proprietário trasladar-se para evitar vizinhos
irritantes.


Essa foi a última situação tolerada pelos deuses, sendo então, expulso do
Olimpo.


Um dado curioso é que na epopeia do Século XIII a.C., lhe foi atribuído
inspirar a Guerra de Tróia pelo simples desejo de diminuir o número de
população que acreditava ser demasiada.


Na América Latina, especialmente Brasil e Colômbia, o deus Momo é conhecido
como o rei do Carnaval e talvez não se tenha o conhecimento de sua origem como
um deus do Olimpo.


Em plena Idade Média, as festas em sua homenagem eram carnavalescas, a igreja
católica não conseguindo conter as festividades do povo, fez sua inclusão no
seu calendário cristão, permitindo o festejo antes da abstinência que tem lugar
na Quaresma.


Sarcasmo é uma palavra com origem no grego sarkasmós que significa zombaria,
gozação, deboche. Uma pessoa sarcástica costuma deixar clara a utilização de
hostilidade em seu discurso, mesmo que de forma indireta desafiando o sentido
literal das coisas. Intimamente ligado à ironia, o sarcasmo é de uma linguagem
mais ácida que tem por objetivo zombar ou ofender o destinatário.


Sem ter a necessidade de expressar a agressividade de maneira a usar o físico,
a pessoa sarcástica ou irônica se utiliza da palavra como meio de se defender e
de criticar.


Curioso é perceber que muitas pessoas não entendem o sarcasmo supondo que a
frase dita foi apenas no sentido literal. A essas pessoas, falta-lhes a
capacidade de compreender as expressões emocionais do outro, bem como a
linguagem corporal.

Ironia e sarcasmo fazem parte de aparições ocasionais em nosso cotidiano. É uma
linguagem bastante comum a ponto de aqueles que não a entendem se destacarem na
multidão como pessoas com dificuldade em comunicação.


O linguista John Haiman, da Macalester College, em Minnesota, nos Estados
Unidos, chegou a afirmar que este é o próximo estágio de evolução para a
linguagem e espero que a Inteligência Artificial não me ouça… (Acabo de me
utilizar da ironia).


Quando pesquisadores monitoraram a atividade elétrica nos cérebros de pessoas
expostas ao sarcasmo, eles descobriram que a atividade cerebral aumentou e que
nosso cérebro precisa trabalhar mais para captar o conceito de sarcasmo e
decidir o que um comentário realmente significa principalmente porque a ironia
não é apenas usada em relação a uma pessoa, mas também para fazer referência a
uma situação ou acontecimento engraçado ou curioso.


A incapacidade de compreender o sarcasmo e a ironia está sendo associada aos
estudos sobre danos cerebrais no lobo pré-frontal e a certos comportamentos
sociais ligados ao diagnóstico de autismo.

 A pessoa pode até fazer a ironia, mas na hora de compreendê-la quando outra pessoa o faz, não a
compreende julgando apenas como raivosa demonstrando assim, sua dificuldade em
se colocar no lugar do outro.


Usar de sarcasmo requer uma certa dose de valentia, pois é uma maneira
divertida de expressar suas impressões mais contundentes, por isso, verifica-se
seu uso mais frequentemente nas conversas online do que pessoalmente.

Parece que atrás de um computador as pessoas se asseguram de revanches e consequentemente,
se tornam mais valentes o mesmo acontece no contexto familiar, se as agressões familiares acontecessem no contexto politico e social, com certeza, já teriam explodido a bomba nuclear.

A exceção fica por conta do judiciário brasileiro que, indubitavelmente, se utiliza da ironia, do sarcasmo e, sobretudo, do sadismo contra o próprio povo.

Devo acrescentar que vários estudos tem revelado que a relação sadomasoquista é a relação mais difícil de ser desfeita.

Os brasileiros, em sua maioria, têm se comportado como masoquistas?

O filósofo Nietzsche nos incitou a reagir quando disse que
todos nós estamos indo para o matadouro. Diz ele que vai, mas não vai
quietinho, vai brigando, gritando e dando muito trabalho.

 



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