WhatsApp

Insira seu número de WhatsApp para confirmar:

A LENDA DA VITÓRIA RÉGIA – o amor em forma de flor

Numa linda noite estrelada, o cacique de uma de nossas tribos estava sentado à beira da lagoa admirando a beleza da flor quando as crianças chegaram e lhe pediram para contar uma história ele apontou para a Vitoria Régia e lhes disse que ela era uma estrela. As crianças ficaram curiosas e confusas. O cacique se apressou então em contar:


Em nossa tribo, vivia uma índia, muito moça e muito bonita, a quem haviam lhe contado que a lua era Jaci, um guerreiro forte e poderoso.

A moça apaixonou-se por esse guerreiro e não quis casar-se com nenhum dos índios da tribo. Não fazia outra coisa senão esperar que a lua surgisse. Aí, então, punha os olhos no céu e não via mais nada. Só o poderoso guerreiro. Muitas vezes, ela saía correndo pela floresta, os braços erguidos, procurando agarrar a lua, o seu Jaci.

Uma noite em que o luar estava mais bonito do que nunca, transformando em prata a paisagem da floresta, a moça chegando à beira da lagoa, viu a lua refletida no meio das águas tranquilas e acreditou que Jaci havia descido do céu para se banhar ali.

Sem hesitar, a moça atirou-se às águas profundas e nadou em direção à imagem da lua. Quando percebeu que havia sido ilusão, tentou voltar, mas as forças lhe faltaram e morreu afogada.

O deus guerreiro forte e poderoso Jaci, se compadeceu de sua dor e de seu grande amor. Já que não poderia transformá-la numa estrela lá do céu, podia transformá-la numa estrela das águas. Uma flor que seria a rainha das flores aquáticas.

E, assim, a formosa índia foi transformada na vitória-régia. À noite, essa maravilhosa flor se abre, permitindo que a lua a ilumine e revele sua impressionante beleza branca feito uma estrela a brilhar nas águas do Brasil.

E assim, o amor platônico não se concretiza, permanecendo como uma linda cena, uma bela imagem não realizada mas que enfeita reafirmando para sempre o quanto é belo o amor e suas histórias que poderiam ter sido mas não foram.

Em sua inocência e ignorância, o assim chamado amor platônico, atribui a uma determinada pessoa o poder de produzir e exercer a força do amor naquele que espera.

Desse modo, o desejoso fica totalmente à mercê e dependente do outro afogando-se no seu sonho ardoroso de amor ausente.

O poder da ação fica projetado no outro, de modo que a resolução está em perceber que Jaci só é percebido fora porque antes está dentro, fazendo parte de nossa força e poder. O amor que você sente é seu, para o outro pode significar uma espécie de proteção e pertencimento sem apego, um brilho estelar anunciando caminhos mais seguros.

Nossa amorosa índia e nosso bravo guerreiro interiores, ao se unirem nos fazem estrelas, protagonistas de nossa própria história de amor, de um amor desapegado, amor de virtude, amor de humanidade.

Nosso índio nos conta que a flor Vitória Regia, que significa rainha vitoriosa, é mais uma sabedoria indígena a nos apontar a união entre céu e terra, entre fora e dentro, entre o instinto e a razão sendo mediados pela afetividade, aquela doçura e acolhimento que a gente vê em nossos índios que é a base da personalidade brasileira.

Sugestão de leitura: Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). – São Paulo: APEL Editora, sem/data

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *