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AGRESSIVIDADE E VIOLENCIA – UMA HERANÇA INCOMODA

Por que tendemos a negar e a resistir ao
reconhecimento do comportamento violento ou mesmo agressivo?

 

 Uma influente psicanalista e
psiquiatra americana, Clara M.Tompson, escreveu que a agressão não é
necessariamente destrutiva e que ela se origina de um instinto inato para
sobreviver e dominar a vida, o que parece ser característica de toda matéria
viva.

Em seu trabalho, ela chegou à
conclusão de que a raiva, a ira e o ódio só passam a estar ligados à
agressividade instintual quando essa força vital é destruída em seu
desenvolvimento.

 

O londrino escritor e psiquiatra
Anthony Storr escreve que não resta dúvida de que o humano é uma criatura
agressiva por natureza.

Afora o humano dificilmente se
encontra outra espécie vertebrada que habitualmente destrói membros de sua
própria espécie demonstrando prazer no exercício de crueldade contra os seus.

Ele afirma que somos a espécie mais
cruel e implacável que jamais pisou no planeta Terra.

 Diversos animais exibem comportamentos
extremos contra a própria espécie, mas que evolutivamente servem para garantir
a sobrevivência, reprodução e dominância territorial, não há neles o
comportamento cruel e sádico que se presencia no humano.

 Em termos de natureza o humano herdou
circuitos neurais e mecanismos biológicos que ativam a agressão defensiva. Ela
é tida como uma característica constitutiva do humano ligada à espontaneidade e
motilidade podendo ser canalizada para atividades construtivas. Diferentemente,
a
violência é a
ação destrutiva que tem por finalidade ferir ou destruir.

O caráter específico da violência é o
desejo deliberado de causar mal, de humilhar, de imputar o sofrimento no outro
e se comprazer com tal objetivo. Não existe violência instintiva, porque existe
conscientemente um projeto de executar a agressividade de uma maneira que venha
a prejudicar e destruir.

 

No entanto, quando a agressividade se
manifesta de forma intensa e persistente no ambiente, torna-se um obstáculo
para o desenvolvimento emocional, afetivo e social das crianças com reflexos
devastadores na vida adulta.

Por assim dizer, a agressividade
inata pode se expandir para atos violentos tanto devido a fatores genéticos
quanto a fatores ambientais.

Estudos apontam que a mera existência
do instinto de agressividade não pode ser a responsável pela violência na
história e na cultura. Há dois fortes contigentes que promovem a violência, a
saber, a política e a religião.

Devido principalmente à cultura
religiosa, a raiva e o comportamento agressivo passaram a ser considerados
pertencentes ao mal, de modo que foi renegado ao inconsciente sendo reprimido e
sublimado em comportamentos evidentemente racionalizados e mesmo neurotizados.

Para o psicanalista Sigmund Freud, a
agressividade é instintiva e relacionada à sexualidade, já para seu contemporâneo,
o psicólogo austríaco Alfred Adler ela é instintiva e relacionada ao poder.

Há inúmeras evidencias e fatos
políticos que vem comprovar a tese de Adler que, inclusive, se repetem desde o
início da humanidade sem que essa tenha aprendido ou desenvolvido a devida
maturidade para não mais repetir a fórmula destrutiva e desumana cuja intenção
é tão somente de domínio e ganancia que, obviamente, derrama o sangue dos
animais, da flora e da fauna, e dos humanos.

Para Jung, a agressividade é um
instinto nato e primordial. Quando lá nos primórdios da humanidade o humano se
encontrava em extremo desamparo diante de um cenário inóspito e buscando se
defender para sua proteção e sobrevivência, desenvolveu a agressividade como
defesa.

Assim, no momento atual, qualquer
situação de desamparo, sinais de diferenças, de insatisfação, de humilhação ou de
não reconhecimento pode reconduzir ao estado de defesa primordial em que a
violência era a resposta para as ameaças.

Esse é um estado indiferenciado da
psique em que o conteúdo primordial, arquetípico, se mistura com o conteúdo
psíquico pessoal e ao invés de se atualizar para uma resposta assertiva,
trabalhada junto ao bom senso e sensibilidade, extrapola para uma ação primitiva
dando lugar a violência dificultando as práticas de cooperação e solidariedade sociais.

Pode se afirmar por isso, que na violência
o laço social não acontece e nem está presente.

A outra forma de violência (ato de
causar sofrimento), em que o vínculo se encontra distorcido devido ao poder e
reduzido a uma ordem de poderio, é o comportamento passivo-agressivo que em si
mesmo não presume um encadeamento discursivo porque o agressor não admite sua
agressão e muito menos sua intenção de ferir ou destruir o outro. Se utilizando
de argumentos sutis sem confronto direto, inviabilizando a retórica. 

Na minha
prática como analista junguiana tenho presenciado frequentemente esse tipo de
comportamento justamente junto aos psicólogos(as) que por ter por objeto de estudo
o comportamento e a saúde mental deveriam fazer uma boa psicoterapia para
verificar o seu complexo de inferioridade que, indubitavelmente, os levam ao comportamento
passivo-agressivo e consequentemente a falta de vínculos genuínos.

O comportamento passivo-agressivo constitui-se
de um traço de personalidade influenciado por baixa autoestima, ansiedade
social ou de depressão e ocorre com frequência nos relacionamentos de todas as
áreas e ambientes sociais.

A comunicação assertiva é a
recomendada para tais casos até mesmo como forma de escapar dessas engrenagens
sutis do comportamento passivo-agressivo.

Resumidamente, para Jung, a
agressividade é uma energia psíquica instintual e arquetípica em que o conteúdo
primordial deve ser reconhecido pela consciência de modo a se desconectar dos
complexos nela imbricada seja pela genética seja pelo ambiente.

Sabemos que a pouca ou nenhuma
nutrição afetiva recebida na infância ou no desenvolvimento da personalidade causa
um sentimento de escassez, um vazio interior que pode ser erroneamente
preenchido pela dependência de pessoas ou de religião ou de ideologias.

A pessoa com deficiência dessa
nutrição pode acreditar que essa situação é o normal e que ao receber um pingo
de nutrição já se sente grata pela vida toda gerando um vínculo unilateral com aquele
ou aquilo que lhe deu uma gotinha de alimento afetivo, tornando-se vulnerável a
manipulação e a exploração.

O alimento que nutre a vida não cria
dívida.

O fortalecimento da personalidade,
através da psicologia profunda de Jung, nos ensinou a se alimentar da vida sem
causar culpas e a se apropriar da abundância que o leite da vida oferece
indiscriminadamente.  

 

 

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