Segundo os relatos de Heródoto ou mesmo de Plutarco, a Fênix é um mito de origem etíope e de um esplendor sem igual. Também chamada de Pássaro de Fogo por se apresentar envolta em chamas, principalmente em seu belo voo, trazendo junto de si, como que incrustrada em seu corpo divino uma grande estrela chamejante símbolo de sua natureza celeste.
Dotada de uma extraordinária longevidade, quando se aproxima a hora de sua morte ela constrói para si um ninho perfumado, no qual, em seu próprio calor se deixa queimar para em breve renascer fulgurante de suas próprias cinzas, lembrando a todos que jamais se daria bem em ser uma vítima seja lá do que for ou de quem for.
Antes, queima-se em suas próprias emoções, se refazendo e lançando ao mundo o seu emblema coletivo de ressureição, imortalidade e reaparecimento cíclico e renovado.
Essa tremenda força, de tempos em tempos, instiga e requer as transformações, mudança de valores e de paradigmas. Tal qual a vida representa a mutabilidade, a intensidade e a riqueza de caleidoscópio. Manter-se numa única posição significa o contrário de estar vivo e radiante feito Fênix.
A inquietação, a indignação, o olhar dilacerante são coisas de Fênix e não tem como serem refutados, é preciso seguir adiante mesmo que seja contra as convicções atuais. Seguir o caminho, alçar voo. Se caso estagnar, Fênix se inquieta e causa alvoroço, produz a morte para alcançar a vida renovada e brilhante.
E assim se vive várias vidas em uma só vida. No momento em que ela alça voo a liberdade nos atinge, toda a energia que se tinha escapado para longe, volta a ser, o mundo se modifica, tudo que se sabia já não é mais e novas descobertas estão bem ali a nos instigar e surpreender.
Existe certas situações coletivas e também certas situações pessoais, que só se escapa através do voo da Fenix, sem depender de instruções, orientações, auxílio afetivo de outros. Somente o voo da Fenix, sua queima e renascimento terá o poder da renovação da vida.
Nesse processo, os afetos são todos mantidos, mas a percepção se modifica dando início ao ciclo da Fênix em constante vida-morte-vida.
Considerada como pássaro sagrado, a Fênix, é símbolo de uma vontade irresistível de sobreviver, de resistir e de triunfar sobre as querelas da vida que muitas vezes levam a mortificação.
Ao tocar nossa existência, o arquétipo da Fenix, nos traz a consciência da finitude e de toda a dor subjacente dessa perda, paradoxalmente, nos faz apreciar o momento, o presente, e celebrar com virtude nossos mais sinceros amores. É a integração do humano com a natureza terrestre e a natureza celeste.
Lunardon Vaz
