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OS SENHORES DO TEMPO: CRONOS E KAIRÓS


QUANTO TEMPO O TEMPO TEM?


O vento clamou ao tempo: Por favor, me dê um longo reinado!
Sabiamente o tempo respondeu: Vento, cada tempo tem o seu tempo!

CRONOS é um jovem Titã da primeira geração dos deuses, junto a titã Reia, deu origem a segunda geração dos deuses, são seus filhos: Demeter, Hera, Poseidon, Hades, Héstia e Zeus.


Por seu receio de perder o trono, Cronos engole todos os seus filhos, salva-se Zeus devido a um subterfugio de Reia. Mais tarde Zeus faz com que Cronos vomite todos os seu filhos que unidos a Zeus derrotam o pai devorador, dando origem ao Panteão Grego formado por 12 deuses olímpicos e que compõem a terceira geração dos deuses que encantam o mundo até hoje.

Aqui já temos então, que Cronos, o senhor do Tempo, devora todos os seus filhos! De fato, somos todos escravos do tempo, o tempo cronológico que marca horas, minutos, segundos se estendendo por meses, anos, séculos, mas sempre trazendo o fatal fim de tudo e de todos.

Cronos é o deus do Tempo efêmero e, consequentemente, da finitude.
De acordo com os xamãs, o homem tem poder para derrotar qualquer inimigo, inclusive o que mora em si mesmo, porém, o único inimigo a não ser derrotado é a velhice, o tempo que passou e que jamais retornará.

KAIRÓS é o filho mais novo de Zeus e de Tyche, a deusa da sorte e da fortuna.

Entre os romanos, ele recebeu o nome de Tempus – que representa aquele breve momento em que as coisas são possíveis. Kairós é o tempo que não pertence a Cronos, e não pode ser cronometrado ou previsto. Trata-se do momento oportuno.

Esse tempo (Kairós) não dura muito tempo de (Cronos), assim, diante de Kairós não há tempo a perder.

Enquanto que Cronos muitas vezes se apresenta como um velho de barba e cabelos brancos compridos, Kairós se apresenta como um jovem belo e com apenas um tufo de cabelo na testa. Kairós é um atleta tão ágil que é praticamente impossível persegui-lo, aquele que procura alcança-lo teria de o pegar pelo tufo do cabelo.

Sobretudo Kairós é um jovem destemido que não se importa com o tempo implacável de Cronos ou com o calendário. Kairós representa o tempo em que as coisas acontecem sem hora marcada e perfazem as surpresas do dia a dia.

O tempo de Kairós, especificamente, é o tempo da intensidade, aquele momento em que você pensou que se passou horas e surpreendentemente verifica que foram apenas alguns minutos ou, o contrário, aquele tempo em que você acredita ter passado apenas minutos e que na verdade passaram-se horas e horas, como se estivesse no abraço da deusa Felicidade!
Cronos e Kairós, duas faces distintas de tempo. Uma face voltada para o passado e o futuro, a outra, Kairós voltada para o presente, para o grande momento. Não é de se admirar que Cronos seja um devorador contumaz enquanto que Kairós nos dá o momento presente em toda sua intensidade seja para a dor, seja para o deleite.
Assim como Cronos, Kairós é incontrolável. Cronos ainda pode ser enganado por alguns subterfúgios como estender a vida através de artificios, depois num momento de intensidade vomita deuses. Superhumanos que estabecem uma ordem  ao caos, criando um novo ciclo de ocupação da existência. Esses novos deuses, possuem cada um deles, um poder distinto, uma sábia constelação das capacidades do humano pós caos.
Está tudo escrito nas estrelas, no entanto, apesar dos mitos nos deixar surpresos e extasiados, ainda são substimados e junto deles o aprendizado para irmos além do humano, além do caos.
A linguagem simbólica é a única que une razão e instinto em si mesma, por isso mesmo perfaz a boa forma e toca tanto na razão quanto na emoção. Inclusive esse é o efeito da boa arte quando ela, através das imagens que cria, une a razão e a sensibilidade.
Se elevar acima do caos equivale a deixar de ser o humano manquetola que somos hoje, com um monstro devorador que gera caos interno e consequentemente afeta todo o social. Esse monstro tem lá suas nuances conforme a personalidade de cada um. Uns são mais visíveis em seu caos, outros menos.
De qualquer modo, o monstro que nos habita não deixará de existir pois é inerente ao humano. O humano precisa se elevar para além desse patamar como certas figuras já o fizeram, como Jesus Cristo, Buda, Leonardo da Vinci e tantos outros mais desconhecidos e anonimos.
Hoje os donos do poder perseguem o status de deuses, sua intuição está corretissima, temos sim o poder de nos elevar ao deus que nos habita, mas não da maneira caótica que está sendo feita, não através do orgulho pela ganancia e pelo feio. Cronos diretamente surgido do caos, é apenas um caminho para chegarmos a ser vomitados através de uma ação consciente e estratégica, aí sim o deus que existe em nós poderá viver sem as amarras da voracidade cronológica e caótica.
Uma nova ordem de deuses, uma nova ordem de superhumanos que ultrapassou seu estado de caos superando sua monstruosidade, sua primitividade ensandecida pelo poder.
No mito, é a mãe que não suportando mais a dor de ver seus filhos devorados em nome da manutenção do poder de seu companheiro, promove uma estratégia para enganar o devorador. O papel materno, a maternagem deseja aos seus filhos prosperidade, vida longa e que nehum mal prevaleça me seu caminho. Se uma figura materna não trilha esse caminho é porque já foi devorada pela ganância ou pelo mais vulgar e caos.
Que tipo de mãe está te habitando? O seu destino depende dessa resposta.


Sonia Lunardon Vaz – Analista Junguiana

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